sábado, 13 de agosto de 2016

Valentina





Já vai no nono volume a série II das novelas gráficas do Público: o Valentina de Guido Crepax. Para trás ficaram Alan Moore/ David Floyd – V de Vingança -, Miguelanxo Prado – Presas Fáceis, Moebius – A garagem hermética -, Joe Kubert – Fax de Sarajevo -, entre outros.
Capas cartonadas, versões integrais (ou reunião de várias histórias, quase sempre ultrapassando a centena de páginas) e originais, a edição merece referência.
Valentina é uma criação do desenhador italiano Guido Crepax (1933-2003). Nascida como personagem secundária numa história de policial fantástico, Neutron, publicada na revista Linus em 1965, mas apenas dois anos depois ela tornar-se-ia a heroína principal das histórias de Crepax, com mais de trinta histórias publicadas.
As histórias que são hoje publicadas remontam ao período de 1968 até 1975, começando por apresentar a heroína em criança, mas progressivamente, e logo pouco depois, o desenho ganharia uma carga erótica que se manteve até ao fim. Onírico, fantástico, erótico, o preto e branco (de raros sombreados) de Guido Crepax rompe decididamente com a narrativa cinematográfica da banda desenhada clássica, utilizando cada prancha como um todo, sem quadrados de tamanho ou posição regular, com cercaduras bem marcadas, mas aqui e ali desfazendo as linhas, combinando grandes planos com planos de conjunto, deslocando a visão para planos impossíveis, detalhando, com sequência nem sempre óbvia, parando o tempo ou precipitando a narrativa.
A figura de Valentina inspira-se na actriz do cinema mudo Louise Brooks (1906-1985), que Crepax transformaria num ícone da banda desenhada, despindo e vestindo, jogando com a anatomia esguia de forma agressiva.
As histórias de Valentina estão cheias de referências – fantasmas - de toda a ordem, mais ou menos explícitas, políticas, sociais, artísticas, literárias, cinematográficas, musicais (Guido Crepax era um apaixonado pelo Jazz), ou à própria banda desenhada.
São cento e setenta e seis páginas de banda desenhada, a grande banda desenhada, pela mão de um dos seus mais singulares e geniais autores.
Obrigatório.

Valentina, Guido Crepax, Novelas Gráficas II, Público/ Levoir, 2016

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